Terça-feira, Novembro 10, 2009

Amenidades

1. Laerte



2. Musiquinha

"Olhando o céu,
Chutando lata
e assobiando Beatles na praça...
Olhando o céu,
Chutando lata
Hoje eu quero encontrar você..."

(Distração - Zélia Duncan)

3. Bla bla bla

São Paulo está me enlouquecendo / me matando aos poucos. Mas para não entregar os pontos, surtar, sair por aí gritando "AAAAAHH! Eu não aguento maaais!!", estou tentando me distrair, não reclamar (tanto), me manter calma, meditar com as minhas músicas, as velhas companheiras de todas as horas. Sempre no pensamento: "Falta pouco..."
- Mais 24 horas rs

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Vontade de gritar:

Pretaaaaaaaaaaa, estou com saudadeee!

Vem aqui? Fica comigo? Posso te levar para a minha casa?
Se você quiser, converso com a sua mãe:
Oi dona L, tudo bem? Então, aqui é a Caroline, aquela que a senhora acredita ser a "amiga" da sua filha, mas sabe muito bem que é a NAMORADA dela. Liguei para comunicar que roubei por alguns dias a sua filha e que não adianta a senhora ficar brava com ela, porque eu sou a culpada. Ela está aqui na minha frente agora, com as mãos amarradas e um capuz preto na cara haha brincadeira, dona L! Assim ó, vou ser bem clara: eu preciso da sua filha na minha vida, não que ela já não esteja, mas eu preciso de mais tempo com ela, mais beijos, mais abraços, mais... a senhora sabe do que estou falando, né? Não está entendendo? Vou tentar explicar delicadamente: Dona L, eu preciso da sua filha no meu quarto, só eu e ela e tal, entendeu agora? Mas fica tranquila, eu prometo que a devolvo em breve, olha como sou boazinha... tá... eu sei que não sou... não precisa xingar, dona L... hum, eu sei, eu sei, calma... éé... um beijo, minha sogra querida! Vamo marcar uma cervejin... ah, tchau...

Hahaha... ela ia me matar, né? Melhor não, melhor não...

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Escrevo para me aliviar (trecho) - Cioran

"Só tenho vontade de escrever num estado explosivo, na excitação ou na crispação, num estupor transformado em frenesi, num clima de ajuste de contas em que as invectivas substituem as bofetadas e os golpes.(...) Escrevo para não passar ao ato, para evitar uma crise. A expressão é alívio, desforra indireta daquele que não consegue digerir uma vergonha e que se revolta em palavras contra os seus semelhantes e contra si mesmo. A indignação é menos um gesto moral que literário, é mesmo a mola da inspiração. E a sabedoria? É justamente o oposto. O sábio em nós arruina todos os nossos élans, é o sabotador que nos enfraquece e nos paralisa, que espreita em nós o louco para dominá-lo e comprometê-lo, para desonrá-lo. A inspiração? Um desequilíbrio súbito, volúpia inominável de se afirmar ou de se destruir. Não escrevi uma única linha na minha temperatura normal.(...) Escrever é uma provocação, uma visão infelizmente falsa da realidade, que nos coloca acima do que existe e do que nos parece existir. Competir com Deus, ultrapassá-lo mesmo apenas pela força da linguagem, esta é a proeza do escritor, espécime ambíguo, dilacerado e enfatuado que, livre da sua condição natural, se entregou a uma vertigem magnífica, sempre desconcertante, algumas vezes odiosa. Nada mais miserável do que a palavra, e no entanto, é através dela que atingimos sensações de felicidade, uma dilatação última em que estamos completamente sós, sem o menor sentimento de opressão. O supremo alcançado pelo vocábulo, pelo próprio símbolo da fragilidade! Pode-se alcançá-lo também, curiosamente, através da ironia, com a condição de que esta, levando ao extremo sua obra de demolição, cause arrepios de um deus às avessas. As palavras como agente de um êxtase invertido... Tudo o que é realmente intenso participa do paraíso e do inferno, com a diferença de que o primeiro só podemos entrevê-lo, enquanto o segundo temos a sorte de percebê-lo e, mais ainda, de senti-lo. Existe uma vantagem ainda mais notável de que o escritor tem o monopólio: a de se livrar de seus perigos. Sem a faculdade de encher as páginas, me pergunto o que eu viria a ser. Escrever é desfazer-se de seus remorsos e rancores, vomitar seus segredos. O escritor é um desequilibrado que utiliza essas ficções que são as palavras para se curar. Quantas angústias, quantas crises sinistras venci graças a esses remédios insubstanciais!"
 
Peguei aqui

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Um trechim só

O que você quer?
O que você sabe?
Não é fácil pra mim
Meu fogo também me arde
Às vezes
Me vejo tão triste...
Onde você vai?
Não é tão simples assim
Porque às vezes
Meu coração não responde
Só se esconde e dói...

Não Vá Ainda

Composição: Christian Oyens / Zélia Duncan

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

A maldita terceira perna

Hoje, depois de muito relutar, comecei a leitura d'A paixão segundo G. H, da Clarice Lispector.
Eu sempre tive uma limitação relacionada à tudo o que esta mulher escreveu. Sempre que pegava um livro, não passava das primeiras páginas, guardava para "ler depois" e esse depois não chegava. Não sei explicar muito bem isso, a justificativa que consigo dar, hoje, é que ela pega numa ferida minha, fala sobre os meus dilemas pessoais, consegue entrar nessa minha mente confusa e maluca... Com algum cuidado, digo que a Lispector canta na mesma sintonia que eu, por isso a relutância em encará-la. Isso tudo também porque tenho uma dificuldade imensa em identificar e colocar os meus demônios para fora, admitir as minhas crises, a minha personalidade etc. Coisa de gente cabeça dura, eu sei.
E, mesmo que as 60 e poucas páginas que li já tenham mexido demais nessas feridas, me sinto mais leve, mais alegre, mais "de bem com o meu dia" - que piegas! - mas é.

Bom, o livro é fantástico, como eu já esperava, e forte... MUITO forte.
E como hoje estou generosa, alguns pingos dela à quem possa interessar (e eu espero que interesse à muita gente!):

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
[...]
O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade."

Putz, me dá vontade de ficar copiando e copiando, a tarde toda...

A terceira perna... eu criei uma. E essa perna significa, para mim, todo o comodismo que eu tenho com as coisas da vida, seja no trabalho, nos relacionamentos pessoais, etc. E é obvio que atrapalha, pois, como a Lispector diz, só é possível caminhar com as duas pernas. Uma terceira te impossibilita de dar qualquer passo, por menor que seja. Estou tentando amputá-la de mim neste exato momento - e me sinto feliz por isso (já é um passo!).

(estou tão auto-ajuda hoje... acho que vou fundar uma nova igreja rs)